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Edgar Morin

edgar_morin1Ecce Homo! Aí está um dos expoentes mais expressivos do pensamento mundial contemporâneo. Eis o homem que quer, deseja e provoca, sem trégua, o reencontro entre ciência e humanismo. Eis o homem cujas idéias representam uma sintése aberta, mas ao mesmo tempo radical, a respeito do papel social e ético do conhecimento diante da agonia planetária.

Com uma produção científica polêmica, mas indiscutivelmente de repercussão e reconhecimento internacionais, Edgar Morin, nascido a 8 de julho de 1921, filho do Sr. Vidal e da bela Luna, tem dificuldade de se definir por uma área específica do conhecimento. Pudera! Essa dificuldade está marcada já na sua nascença e emerge na infância quando o pequeno Edgar precisa dizer qual sua origem, e mais precisamente, de onde viera seu pai - 'Da Salônica'. "Então é grego?" Perguntavam. -'Não, ele era de origem espanhola...' "Então é espanhol?" - 'Não...' tentava explicar Edgar que foi consecutivamente e simultaneamente, chamado de 'Bebeco' e 'Minou' por seu pai, depois de Edgar Nahoum Morin, e finalmente Edgar Morin.

É possível atribuir um pertencimento particular e unitário a Edgar Morin? Certamente não.

edgar_morin2Ele é mais propriamente, como por vezes enuncia, um contrabandista de saberes, um artesão sem patente registrada, porque transita livremente por entre as arbitrárias divisões entre ciências da vida, do mundo físico e do homem. Quer rejuntar o que o pensamento fragmentado da super-especialização disciplinar fraturou, e é movido durante toda sua vida por vários 'demônios', mas também por uma mesma obsessão, um mesmo apelo intelectual, uma mesma razão apaixonada: a reforma do pensamento. Alerta porém para o perigo das generalizações extremas, e no caminho de Adorno e Gödel reafirma que "a totalidade é a não verdade" e que a complexidade é movida pela dinâmica da implenitude.

Sem abrir mão da disciplina intelectual e do rigor, Edgar Morin hipotetisa a tragédia do inacabamento da cultura, do sujeito, das idéias, do conhecimento. Daí porque, as verdades absolutas e as explicações finalistas são rigorosamente questionadas e discutidas na magnitude de uma obra aberta que abarca desde uma reflexão matricial acerca do método, até títulos considerados como sociologia, antropologia, política, escritos de conjuntura, livros sócio-auto-biográficos, romances, cinema e imaginário, cultura de massa.

Como o legendário deus Sísifo, Edgar Morin se atribuiu a missão (ou o castigo?) de, corajosamente, fazer rolar as diversas pedras do conhecimento, montanha acima, buscando religar saberes, mesmo que, como Sísifo, tenha visto tantas vezes as pedras caírem.

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